quarta-feira, 11 de abril de 2012

O QUE É HIDROPONIA?

O QUE É HIDROPONIA?

Plant-TecA palavra hidroponia vem do grego dos radicais gregos hydro = água e ponos = trabalho. Apesar de ser uma técnica relativamente muito antiga, o termo hidroponia só foi utilizado pela primeira vez pelo Dr. W. F. Gerke, em 1930.
A Hidroponia é um sistema de cultivo, dentro de estufas sem uso de solo. Os nutrientes que a planta precisa para desenvolvimento e produção são fornecidos somente por água enriquecida (solução nutritiva) com os elementos necessários: nitrogênio, potássio, fósforo, magnésio etc., dissolvidos na forma de sais. Basicamente qualquer água potável para consumo humano serve para hidroponia.
Existem diversos processos hidropônicos como: floating, aeroponia, NFT etc. O processo NFT (fluxo laminar de nutrientes) foi desenvolvido nos anos 70 pelo Dr. Alan Cooper. O processo NFT elimina os antigos métodos de telha, plástico e brita e tubos de PVC e os substitui por um perfil de polipropileno totalmente atóxico, isento de metais pesados, que não contamina a planta e dá maior sustentação aos vegetais. É excelente!

COMO FUNCIONA?

As plantas são cultivadas em perfis específicos, 80 cm acima do solo, por onde circula uma solução nutritiva composta de água pura e de nutrientes dissolvidos de forma balanceada, de acordo com a necessidade de cada espécie vegetal. Esses perfis provêm o meio de sustentação para as plantas, sem necessidade de pedrinhas ou areia. A solução nutritiva tem um controle rigoroso para manter suas características. Periodicamente é feito um monitoramento do pH e da concentração de nutrientes, assim as plantas crescem sob as melhores condições possíveis.
Essa solução fica guardada em reservatórios e é bombeada para os perfis, conforme a necessidade, retornando para o mesmo reservatório. É o sistema de cultivo NFT (Nutrient Film Technique) -- fluxo laminar de nutrientes.

QUAIS AS VANTAGENS DA HIDROPONIA?

Plant-TecO produto final cultivado em hidroponia é de qualidade superior, com aproveitamento total, pois é cultivado em estufa protegida e limpa, livre das variações do clima, dos insetos, animais e outros parasitas que vivem no solo. Na hidroponia os nutrientes são balanceados diariamente, conforme a necessidade do cultivo, fazendo com que as plantas recebam durante todo seu ciclo de crescimento, as quantidades ideais de nutrientes.

O QUE SE PODE CULTIVAR POR HIDROPONIA?

Praticamente tudo. Hoje em dia a alface ainda é a mais cultivada, mas pode-se plantar brócoli, feijão-vagem, repolho, couve, salsa, melão, agrião, pepino, beringela, pimentão, tomate, arroz, morango, forrageiras para alimentação animal, mudas de árvores, plantas ornamentais, entre outras espécies.

QUAIS AS VANTAGENS PARA O CONSUMIDOR?

 · As plantas não entram em contato com os contaminantes do solo como bactérias, fungos, lesmas, insetos e vermes.
  · As plantas são mais saudáveis, pois crescem em ambiente controlado procurando atender as exigências da cultura.
  · Todo produto hidropônico é vendido embalado, não entrando em contato direto com mãos, caixas, caminhões etc.
  · Ataque de pragas e doenças é quase inexistente, diminuindo ou eliminando a aplicação de defensivos.
  · Pela embalagem o consumidor pode identificar: marca, cidade da produção, nome do produtor ou responsável técnico, características do produto e telefone de contato.
  · Os vegetais hidropônicos duram mais na geladeira e fora dela, pois permanecem com a raiz.


PRODUTOS HIDROPÔNICOS SÃO CAROS?

Para o consumidor ainda são um pouco mais caros que os tradicionalmente cultivados, mas a diferença é de apenas alguns centavos. A procura e aceitação pelo consumidor são cada vez maiores e os comerciantes já se preocupam em oferecer produtos hidropônicos.

QUAIS AS VANTAGENS PARA O PRODUTOR?

Plant-TecEste é um aspecto sobre o qual gostaríamos de chamar sua atenção. O produtor de cultivos hidropônicos trabalha com uma tecnologia moderna, limpa e com muitas vantagens, veja:
  · Maiores higienização e controle da produção.
  · A planta cresce mais saudável e, por estar longe, do solo menos sujeita a infestação de pragas
  · A produção se faz durante todo o ano por ser um cultivo protegido
  · Alta Produtividade: um único empregado pode cuidar de mais de 10.000 plantas. O custo de manutenção (empregado, água, luz, frete etc.) para o cultivo de alface, por exemplo, está em torno de R$ 0,15 por pé. A ergonometria é muito melhor, pois se trabalha em bancadas. O trabalho é mais leve e mais limpo.
  · Não há desperdício de água e nutrientes. A economia de água em relação ao solo é de cerca de 70%
  · A produtividade em relação ao solo aumenta em cerca de 30%
  · O retorno do investimento se dá entre 6 e 8 meses
  · Por ser colhida com raiz a sobrevida da planta hidropônica é muito maior que a da cortada no solo. Existem maiores qualidade e aceitação do produto.
  · Estão eliminadas operações como: aração, gradeação, coveamento, capina, bem como a manutenção dos equipamentos utilizados para estas operações.
  · A produtividade e a uniformidade da cultura são maiores.
  · Redução de pulverizações.
  · Pode ser realizada em qualquer local, mesmo onde o solo é ruim para a agricultura.Plant-Tec
  · Um projeto comercial de 2.880 pés de alface/mês requer apenas 357m2.
  · Não há preocupação com a rotação de culturas e o replantio é imediato após a colheita.
  · Independendo da terra pode ser implantado mais perto do centro consumidor

QUAIS AS PRINCIPAIS EXIGÊNCIAS E CONDIÇÕES?

Os custos iniciais não são elevados em se falando de equipamentos, e o retorno é imediato e a curto prazo. É necessário prevenir-se contra a falta de energia elétrica. Exige conhecimentos técnicos e de fisiologia vegetal. Uma planta doente pode contaminar toda a produção. Requer rotinas regulares e periódicas de trabalho.

O que é alporquia?

O que é alporquia?
A alporquia é uma técnica de multiplicação vegetativa de plantas, utilizada principalmente em algumas plantas com as quais a estaquia não funciona facilmente. Consiste em enraizarmos um ramo quando ele ainda está preso na planta, retirando a muda em seguida. Na realidade, é uma variação da mergulhia, uma outra técnica de propagação vegetativa de plantas.


Vantagem - é mais eficiente que estaquia

O método funciona em algumas plantas nas quais a estaquia não é eficiente. Na alporquia, a “estaca” continua recebendo água e nutrientes da planta, não utilizando somente as suas reservas, motivo pelo qual é um método mais eficiente.
Limitação da técnica
É difícil de realizar quando comparada com a estaquia, exigindo mais conhecimento e técnica de quem a faz. Comercialmente, é um método caro e de baixo rendimento, mas ainda é muito utilizado em produções comerciais de mudas frutíferas.
alporquia
Alporque em ramo de Hibisco
Como realizar a alporquia?
Podemos separar o processo em algumas etapas:
  1. Inicialmente, devemos escolher um ramo de uma planta adulta. Esse ramo deve possuir de 1 a 3 cm de diâmetro. No ramo escolhido, fazendo um anelamento (retirada da casca) com a ajuda de uma lâmina afiada (faca, canivete, estilete, etc.), sendo este anel formado de 3 a 5 cm de largura.

  2. Cobrimos a parte anelada com um material úmido que retenha bem a água, que pode ser: esfagno, mistura de esterco e serragem úmida, entre outros possíveis. Prendemos o material com um plástico, que deve ter as suas pontas bem amarradas. Assim, ocorrerá o enraizamento do material com o passar do tempo, no local cortado.

  3. Podemos fazer desde o in ício, um outro anelamento, pouco abaixo do local em que vai enraizar, o que força a brotação das gemas (enraizamento) no local cortado.
    Ao alcançarmos um enraizamento razoável, vamos cortando a base de pouco a pouco com o passar dos dias, até destacarmos completamente o ramo bem enraizado, obtendo-se assim uma nova muda.

  4. Devemos passar a muda a um substrato adequado, sem que j á seja plantada no seu local definitivo, já que a muda ainda é muito frágil. Essas mudas devem ser mantidas por um certo período em um local protegido do sol forte, molhado constantemente, sem encharcar, até que a muda se torne forte o bastante para ser plantada no seu local definitivo.

Propagação por Aporquia

A alporquia é um dos métodos de propagação vegetativa mais antigos. Indícios históricos mostram que os chineses já a utilizavam há 4 mil anos com sucesso. Devido ao fato de não ser tão agressivo como a estaquia, a alporquia é um método indicado para plantas que têm dificuldade de enraizar por estacas e para aquelas que queremos rejuvenescer. A alporquia é muito semelhante à mergulhia, diferindo desta por ser utilizada sem vergar os ramos até o solo, levando pelo contrário o solo até o ramo. A alporquia também pode ser chamada de mergulhia-aérea.
O método consiste em estimular o crescimento de raízes em um ramo ou no caule principal de uma planta, sem que esta seja separada da planta mãe. Desta forma, o ramo que está se desenvolvendo, continua sendo alimentado com seiva, sem sofrer com a desidratação e o enfraquecimento que geralmente acontecem na estaquia. Em larga escala, a alporquia é um método caro e de baixo rendimento, se comparado à estaquia, portanto é indicado apenas para plantas que têm dificuldade de se propagar por outros métodos.
A alporquia além de método de propagação, também é uma ótima maneira de rejuvenescer plantas que se desenvolveram demais em altura e apresentam caule compridos e desfolhados. A alporquia com esta finalidade é comum em Fícus, Dracenas, Crótons, Comigos-ninguém-pode, Filodendros, etc.
Alporquia
O local da anelamento deve ser coberto
com esfagno e protegido com plástico
Há duas principais maneiras de se fazer a alporquia. Uma destina-se principalmente a ramos herbáceos e semi-lenhosos, e consiste em se fazer um pequeno corte transversal no ramo, mantendo-se o corte aberto.
A outra é mais indicada para ramos lenhosos e trata-se de se fazer dois cortes circulares e paralelos e o descascaque do local, permanecendo um anel, chamado de anel de Malpighi. A diferença principal entre os métodos é que o primeiro não interrompe a circulação de seiva elaborada, sendo mais suave, e o segundo permite apenas a circulação de seiva bruta, interrompendo totalmente a passagem da seiva-elaborada. O anelamento também pode ser realizado através do amarrio de um arame metálico, chamado de “forca” ou “torniquete”. Pode-se fazer ainda um anel incompleto, com um pequeno segmento permitindo a passagem de seiva elaborada.
Após o corte, em qualquer um dos métodos, se procede à aproximação de musgo, esfagno ou outro substrato úmido, envolvendo bem o local, com a utilização ou não de hormônio enraizador no local do corte. Cobre-se então o substrato com plástico, preferencialmente escuro, amarrando-se em ambas as extremidades com barbante ou fita adesiva, sem apertar. Pode-se deixar um pequeno orifício na parte superior que permita regar o substrato.
Com o passar de algumas semanas ou meses, dependendo da espécie, as novas raízes já estarão bem formadas e o alporque poderá ser cortado, logo abaixo das raízes e replantado em um vaso. As raízes nesta fase, são muito finas e delicadas e ao se retirar o plástico, o pequeno torrão deve ser preservado. Após o plantio em vasos, as mudas assim formadas devem permanecer em estufa úmida até o completo enraizamento, antes do plantio no local definitivo.

Plantas indicadas para propagação por alporquia:

Pitangueira
É possível fazer alporques em muitas
frutíferas, como pitangueiras
Foto: Cristina Cards
  • Azaléia
  • Bordos (Acer sp)
  • Cerejeira
  • Cipreste
  • Pitangueira
  • Romã
  • Jabuticabeira
  • Azevinho
  • Camélia
  • Laranjeira
  • Macieira
  • Nogueira-pecan
  • Pereira
  • Gardênia
  • Magnólia
  • Roseira
  • Dracenas
  • Comigo-ninguém-pode
  • Ficus
  • Filodendro
  • Monstera
  • Cróton
  • Falsa-arália
  • Tuias
  • Pinheiros

A casa pronta

Clonagem do eucalipto: a primeira experiência do Brasil foi feita em Aracruz


Por Rodrigo Bernardo
Paisagem constante nas estradas do município de Aracruz, as florestas de eucalipto já são marca registrada da região e impressionam pela exatidão de espaçamento entre os troncos e pela enorme semelhança entre as árvores, que parecem ser exatamente iguais. E na verdade são mesmo. Estas florestas homogêneas são compostas por milhões de árvores clonadas, ou seja, o mesmo espécime multiplicado várias vezes. O termo soa como enredo de ficção científica, mas o processo de clonagem existe e já é usado há um bom tempo. Quem pode explicar com propriedade o por quê de utilizar essa técnica com o eucalipto é o engenheiro florestal Edgard Campinhos Júnior (71), que viajou o mundo dedicando a vida ao trabalho de melhorar a principal fonte de celulose do país, descobriu a clonagem em 1973 na Austrália e a trouxe em primeira mão para o Brasil. "O motivo do trabalho foi para ajudar a atingir a meta de toda empresa, que é máxima qualidade de produto com o mínimo de perdas e consequentemente de despesa. A clonagem do eucalipto possibilita isso, quando se escolhe uma árvore com as melhores características, como resistência a doenças, volume e altura satisfatórios, para ser multiplicada. Como todos os troncos são iguais, o produto final tem a mesma composição e o processo industrial custa menos", explicou.
  
A dona-de-casa que em seu pequeno jardim corta algumas estacas da roseira mais bonita para replantá-las em outros vasos está realizando uma clonagem, sem saber que as próximas roseiras que brotarão dessas estacas serão exatamente iguais à matriz. Com o eucalipto o método é semelhante, mas para realizar o procedimento em escala industrial o processo fica mais complicado, como detalhou Campinhos. "O primeiro passo é escolher a matriz, que precisa ser a árvore perfeita, já que toda a floresta vai depender dela. Viajei muito para a Austrália, Timor, Nova Zelândia e África do Sul (a trabalho de pesquisa em viveiro pela Aracruz Celulose) pesquisando espécies diferentes de eucalipto. A cada viagem trazia 250 sementes e plantava aqui para fazer cruzamentos e observar o desenvolvimento diante do clima brasileiro, interação com o solo e com a fauna local. Tudo isso só para escolher a árvore mais adequada", disse.
  
De acordo com o engenheiro florestal, só depois de muita pesquisa dois tipos se destacaram pelas suas características para dar início aos cruzamentos. "Decidimos reunir a resistência do Eucalyptus urophylla com boa forma e altura do Eucalyptus grandis e montamos pomares para a produção do híbrido resultante desse cruzamento, que ficou conhecido como Eucalyptus urograndis". Depois de crescida e cortada a árvore perfeita é que começa o segundo passo, o processo de enraizamento de estacas. Dos tocos recém-cortados, os brotos que começam a nascer são retirados, talhados em vários pedaços de 8 a 10 centímetros cada e tratados com hormônio, sombra e água fresca para virarem clones, exatamente iguais e com as mesmas qualidades da árvore matriz. Os próximos passos já são com plantio e extração.
  
Se for feito um comparativo da melhoria na qualidade da celulose e aumento da produção antes e depois da clonagem, a diferença se revela gritante, segundo o engenheiro. "O rendimento de celulose, baseado em hectare por ano, era de 5,6 toneladas e com a clonagem o rendimento mais do que dobrou, para 12 toneladas, com o corte agendado em sete anos. A qualidade é outro aspecto importante. Com troncos heterogêneos a indústria tem mais gasto, porque precisa oscilar intensidade da caldeira e quantidade de agentes químicos, já que as fibras são diferentes e isso resulta na perda de parte do material. Nas toras clonadas isso não existe, já que a medida de cada etapa do processo de industrialização da celulose é constante".

Foi preciso uma equipe composta por 63 técnicos, entre cientistas PHDs, especialistas em nutrição de plantas, interação com insetos, genética, fitopatologia (doenças em plantas), matemática e estatística. A pesquisa de Edgard Campinhos (hoje aposentado pela Aracruz Celulose) se tornou tão cobiçada que depois de divulgada para São Paulo, ganhou o mundo. Hoje, o engenheiro presta consultoria internacional em silvicultura e divulga o trabalho de plantio clonal do Eucalyptus, que já lhe rendeu três honrarias, entre nacionais e internacional: o prêmio "Marcus Wallemberg" de 1984 na Suécia, o prêmio "Araucária de Prata", da Associação Paulista de Reflorestamento (1985) e a honraria "Homenagem ao Pioneirismo" (1997) da Associação Paraense de Engenheiros Florestais, pelo desenvolvimento de atividades florestais no Brasil.

Clonagem substitui sementes
Nativo da Austrália, o eucalipto varia entre mais de 800 espécies, mas poucas tiveram desenvolvimento equiparado ao Eucalyptus grandis (da Austrália) e ao Eucalyptus urophylla (do Timor). A escolha para resultar em uma semente híbrida que reúna crescimento com resistência é feita por meio da polinização induzida, ou seja, a melhor árvore "mãe" recebe polinização da melhor árvore "pai" por meio de uma espécie de inseminação artificial, feita manualmente, na própria floresta. Para seguir o plantio clonal do Eucalyptus é só extrair a rebrotagem do "filho" desse cruzamento, mas nem todos têm recurso para desenvolver e manter um laboratório de pesquisa para clonagem. Logo, resta a propagação do eucalipto por sementes.
  
Nesta última, a árvore resultante do cruzamento entre os melhores espécimes vai crescer e das suas novas sementes a próxima geração será plantada. Este tipo de melhoramento genético (por gerações) é mais barato, mas demora bem mais do que a clonagem para se obter resultados satisfatórios, segundo Edgard Campinhos Júnior. "Um programa de melhoramento genético como esse demora de 20 a 25 anos, enquanto um programa de propagação clonal por enraizamento de estacas é quase instantâneo, especialmente hoje, já que o sistema está bem mais desenvolvido e com variações tecnológicas", explicou.
  
No Espírito Santo a clonagem se deu tão bem que o laboratório comandado por Campinhos (que era no campus onde hoje fica a Prefeitura de Aracruz) chegou a gerar os chamados "clones plásticos", que recebem esse nome porque crescem bem em qualquer lugar, mesmo com variação de solo e clima. Em Aracruz, cada hectare por ano gera 45 metros cúbicos de madeira sólida, com 1.111 pés de eucaliptos plantados por hectare, cada árvore no centro de um espaço de 9 metros quadrados.
  
Em sete anos os eucaliptos já atingem o tamanho ideal e começam a competir por luz, água e por isso são cortados. As árvores que são cultivadas por 15 a 20 anos tornam-se madeira para serraria e têm a mesma qualidade das árvores nobres para fabricação de móveis. O mesmo processo de clonagem é feito com seringueiras, para fabricação de borracha e derivados.

Tubetes vieram do Hawaii
Para quem não conhece, as estacas resultantes do corte dos brotos viram clones de eucalipto em mudas enraizadas nos pequenos tubos de acrílico, os chamados "Tubetes". Esses recipientes são utilizados porque abrigam a pequena muda de forma confortável para o enraizamento, permitem o crescimento adequado até a planta conseguir se fixar no solo comum e têm formato anatômico que facilitam armazenamento e logística do viveiro. A técnica dos Tubetes também foi trazida para Aracruz pelo engenheiro florestal Edgard Campinhos Júnior, que trouxe a novidade do Hawaii.
  
Em uma de suas viagens pelo mundo à procura do eucalipto perfeito, Campinhos passou pelo Hawaii e constatou que lá a madeira é a principal fonte de energia e o eucalipto, árvore utilizada para tal. Os pesquisadores americanos que desenvolviam o trabalho com eucalipto no Hawaii utilizavam os Tubetes para alocar as mudas e, em troca da técnica de clonagem do engenheiro florestal brasileiro, cambiaram o procedimento de mudas nos pequenos recipientes. Chegando em Aracruz, os tubos fizeram sucesso. O viveiro teve espaço otimizado e o transporte de mudas ficou facilitado, já que os antigos torrões que chegavam a pesar mais de um quilo cada um, só para carregar uma planta, foram substituídos pela nova embalagem com a metade do peso e um terço do tamanho. A irrigação regular do viveiro também foi otimizada, com trator, e com o espaço funcionando o ano inteiro, mais emprego e renda foram garantidos.




Um breve histórico do Dr. Eucalipto

Com 71 anos, morador de Coqueiral, o engenheiro florestal Edgard Campinhos Júnior nasceu em Linhares, passou por Rio de Janeiro e Minas Gerais, até que se interessou pelo curso recém criado em Viçosa (MG), de Engenharia Florestal. Depois de se formar, Campinhos trabalhou no Instituto Estadual de Florestas de Minas, dedicado à genética e ao cruzamento de plantas, especialmente do eucalipto.
  
Em janeiro de 1968 foi chamado para trabalhar na então Aracruz Florestal, já atuando com o recolhimento de sementes pelo mundo, pesquisa e clonagem. "Existia um trabalho de plantio de eucalipto por mudas, mas a adaptação não era boa e morria 20% da plantação. Em seguida, a pesquisa deu certo e 10 anos depois de plantadas as primeiras clonagens, inaugurava a fábrica da Aracruz Celulose S.A., com 2 milhões de árvores clonadas", contou.
  
O pesquisador fazia três a quatro viagens internacionais por ano para conhecer novos métodos e coletar sementes. Aposentou-se em 1994 pela Aracruz Celulose como "Gerente Geral de Silvicultura e Pesquisa" e hoje trabalha como Consultor Internacional em Silvicultura. Além de honrarias nacionais e internacionais recebidas, Campinhos foi chamado a participar de inúmeros congressos mundiais de florestas, palestras, pesquisas, publicou trabalhos técnicos voltados para a propagação do eucalipto, colaborou com artigo sobre melhoramento genético para a revista "Opiniões - Celulose e Papel" e teve seu trabalho acompanhado por reportagem especial do programa "Globo Rural", da Rede Globo de Televisão, sobre coleta de sementes, clonagem e propagação do eucalipto.

A Aracruz Celulose e a crise
Não é só em relação à clonagem de eucaliptos que os comentários do engenheiro florestal são animadores. Quando questionado sobre a sua visão em relação à crise econômica e os reflexos para a Aracruz Celulose, as palavras de Edgard Campinhos Júnior foram de incentivo. "Olha, a empresa foi idealizada por empresários muito bem preparados, que conseguiram prever a alta da celulose diante da necessidade e tiveram a brilhante idéia de instalar a fábrica, especialmente o Dr. Leopoldo Garcia Brandão (dentista por formação e hoje conselheiro do SESC Pantanal), peça importante para a acomodação da fábrica. Essa coisa toda não foi por acaso, pelo contrário, foi muito bem pensada e os diretores têm pé no chão", disse.
  
O pesquisador revelou acreditar que, assim como a crise, o momento delicado nas finanças da empresa é passageiro. "As pessoas não precisam se preocupar, porque o Brasil e o mundo têm uma alta demanda de madeira e a Aracruz Celulose mantém alta produtividade. Além disso, empresas grandes e importantes estão se associando à Aracruz Celulose e isso não é à toa. A solidez da empresa é confiável, senão, grandes empresários não arriscariam dessa maneira", salientou.
  
Campinhos completou ainda que o fato de terem encontrado um município com toda essa logística disponível foi um verdadeiro achado. "Qualquer empresa que trabalhe com exportação ficaria satisfeita com as vantagens que existem em Aracruz. Aqui o empreendedorismo é inédito em todo o mundo, porque em nenhum outro país a celulose sai quente para o porto. Em alguns países ela é transportada até 200 quilômetros de caminhão, enquanto aqui a distância é de apenas um quilômetro. A administração empreendedora que o município tem também fez um marco na história, porque soube entender as potencialidades de Aracruz e utilizá-las de forma sustentável. O Porto de Barra do Riacho, que deve ser a menina dos olhos desse município, foi o alvo de investimentos e a gestão municipal soube trazer Petrobras, Estaleiro e por aí é que vem o desenvolvimento".

Café pegou carona na clonagem
Dentre as áreas compradas pela Aracruz Celulose, na década de 70, para plantio do eucalipto, estavam algumas terras que eram usadas para a cafeicultura, do Sr. Vanderli Bastos, de São Gabriel da Palha. Segundo Edgard Campinhos, o pioneirismo da clonagem dos eucaliptos deu uma carona ao café e alavancou a produção. "A Aracruz Celulose tinha negociado essas terras que tinham café plantado e que eram do Vanderli Bastos. Como foi na mesma época do sucesso da clonagem com o eucalipto, o diretor pediu para que eu ensinasse ao cafeicultor sobre o processo pesquisado, para que ele utilizasse".
  
Segundo Campinhos, depois de aprender a técnica de rebrotagem aplicada ao café, a produção que antes variava entre 15 e 20 sacas por hectare passou a render 70 a 90 sacas/he. "A clonagem por propagação de estacas de rebrotagem dá certo em quase todo tipo de planta. É receita de sucesso", animou o engenheiro.




Diretor da Aracruz Celulose destaca trabalho de Edgar Campinhos

O Diretor de Operações da Aracruz Celulose, Walter Lídio Nunes, deu a seguinte resposta para a pergunta abaixo:

Qual a importância das pesquisas de Edgar Campinhos e o que representa para a empresa?
"O sucesso de uma empresa depende de pesquisa e inovação. A Aracruz entendeu essa importância numa época em que isso não era muito comum no Brasil. Sem isso não se consegue ser competitivo. A Aracruz começou com a operação florestal e dentro deste trabalho desenvolveu o sistema de propagação clonal de floresta de crescimento rápido - o eucalipto - que hoje é o modelo que todas as empresas competitivas do setor aplicam. A empresa foi pioneira e liderou esse movimento. Tanto que em função disso ganhou, no dia 14 de setembro de 1984, do rei Gustavo, da Suécia, o Prêmio Marcus Wallenberg, considerado a mais alta distinção em pesquisa florestal no mundo. O prêmio foi recebido pelos profissionais Edgard Campinhos, Yara Ikemori, Leopoldo Brandão e Ney Magno dos Santos em reconhecimento aos avanços alcançados com o uso comercial da tecnologia de clonagem de eucalipto. Esse prêmio foi o resultado de muita dedicação e trabalho da equipe de pesquisa da Aracruz, chefiada por Campinhos. O Campinhos era o responsável pelo Centro de Pesquisa e foi uma figura extremamente importante e tinha a liderança junto com a Yara Ikemori nessa pesquisa. Ele faz parte da história da Aracruz e seu nome está associado ao case de sucesso que a empresa tem, com reconhecimento internacional. O trabalho de clonagem é hoje utilizado também na cultura do café".

Clonagem eucalipto

A Clonagem a seu Alcance
          A palavra clone deriva do grego “klon”, que significa broto e pressupõe, portanto, a existência de um indivíduo gerado a partir de células, que resulta na obtenção de cópias idênticas de um mesmo ser vivo, derivando uma clonagem. A clonagem pode ser natural ou induzida artificialmente.
          Ela e´ natural em todos os seres originados a partir de reprodução assexuada, na qual não há a participação de células sexuais (gametas), como e´o caso das gramas dos jardins ou do morangueiro, cujos nós dos ramos laterais rentes à terra formam raízes gerando plantas independentes. Assim, ao fazerem mudas de plantas, os agricultores e jardineiros estão produzindo clones.
          A clonagem induzida artificialmente exuma técnica da engenharia genética aplicada em vegetais e animais. Nesse caso, a reprodução e´também assexuada, mas produzida em laboratório, baseada em um único patrimônio genético. A partir de uma célula mãe ocorre a produção de uma ou mais células que são os clones.
          Essa técnica e´extremamente importante para produzir árvores como Eucalipto, matéria prima para a fabricação do papel.
          A clonagem do Eucalipto  inicia - se no campo, onde e´realizada a seleção das melhores árvores, as quais serão cortadas.
          A touça vai brotar, e será feita a coleta destes  brotos que serão levados para o laboratório de micro propagação, onde iniciará o seguinte processo:
          Faz-se a limpeza, cortam-se as folhas (ficam em forma de Y), faz-se assepsia e inocula em meio de cultura sem hormônio;
          A cada 21 dias o material e´ transferido para novo vidro com solução nutritiva adequada, composta de sais minerais, hormônios, vitaminas e gelatina ágar-ágar;
Então, e´ feito o plantio do material no micro jardim clonal em calhetão ,e faz a poda em  seguida.
Após 15 dias, já pode coletar o material na forma de micro estacas, que e´ plantado em tubetes (com substratos) e levado novamente para a casa de vegetação, onde fica por 20 dias.
Após este período vai para a casa de sombra, onde fica por 10 dias, e com 60 a 90 dias a muda está apta para o plantio no campo.
          Em média a matéria e´ multiplicada por cerca de 6 a 12 meses, quando passa para a fase de alongamento de brotos.
Então estes são colhidos e enviados para o viveiro de pesquisa, onde o broto micropropagado e´ colocado na casa de vegetação para enraizamento e permanece na mesma por 20 dias. Em seguida e´ levado para a casa de sombra onde permanece por mais 20 dias.
                Todo este processo de clonagem de Eucalipto, poderá ser apresentado para os alunos através de uma maquete, confeccionada por eles próprios, utilizando EVA e isopor, como segue a foto abaixo.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Novas mercadorias

E tempo de limão, feijão e aipim